“Conhece a ti mesmo”, “conhece-te a ti mesmo”, eis o sentido de “nosce te ipsum”, o aforismo inscrito na entrada do templo de Delfos, – homenagem ao deus Apolo, na Grécia Antiga –, ainda hoje movimenta reflexões na busca da compreensão da vida, destacando a importância do conhecimento de si mesmo como atitude singular para o nosso convívio na sociedade. Conhecer-se, antes de conhecer o mundo e os outros, torna-se, pois, vivificante e substancial.

Conhecemos as pessoas ao nosso redor, seus nomes, profissão, aparência, etc. – e ainda muito superficialmente. Temos o costume de observá-las e emitir juízos de valor. A maioria prioriza o seu olhar para a vida do outro, o conhecimento do outro e sempre com base nas impressões imediatas e no “ouvi dizer”.

Dificilmente a pessoa lança um olhar sobre si mesma, realizando autoanálise, introspecção, autoconhecimento. A maioria dos “racionais” passa pela vida, mas sem saber nada de si mesmo, sendo raro, muito raro o interrogar-se buscando compreender seus limites, possibilidades e potencialidades. 

Muitos, quando olham para si mesmos estão preocupados apenas com a imagem cedida pelo espelho, a beleza física como o referencial e cartão de apresentação; o conhecimento de si mesmo, transcendendo o mundo enganador das aparências, nunca faz parte da atenção e apreciação dessas pessoas. 

A verdade é que a maioria dos humanos não dirige o seu pensamento sobre si mesmo, para saber sobre a qualidade e valor das suas ações, comportamentos, atitudes e os impactos sobre a vida dos outros.  Será que agi corretamente quando não atendi as orientações médicas de que vacina e utilização de máscara são essenciais à minha vida e dos outros? Será que fui cristão quando prejudiquei o outro? Será que fui cristão quando agi movido pelas conveniências? Será que a minha atitude de discente tem sido correta ou necessita mudar em alguns aspectos? A minha postura docente tem sido eficaz e eficiente para a formação dos alunos, ou exige mais em alguns aspectos? É certo faltar as reuniões da comunidade e não participar das decisões envolvendo a mesma? Os candidatos que escolhi há quatro anos merecem ainda o meu voto e por quê?  Os representantes do povo que estão sempre agindo contrários à ciência e ao bem-estar da população, merecem meu voto nas próximas eleições? Será que as minhas crenças estão sendo prejudiciais a mim e a comunidade? Será que o meu jeito de ser, minhas idiossincrasias não estão sendo prejudicais a mim e aos outros? Será que as minhas ações devem servir de modelo para mim e para todos?

Essas e muitas outras perguntas não podem faltar nas nossas vidas. Os porquês são essenciais nas nossas práticas cotidianas e podem muito bem evitar os tropeços e equívocos comuns no dia a dia de todos nós.

Estamos no mundo, com o mundo e para o mundo. Quando indiferentes ao pensar sobre nós mesmos e o mundo nos tornamos brinquedos e instrumentos para satisfazer a ganância dos que usam o pensamento para a materialização das suas buscas mesquinhas. Convém evitá-los através das armas do pensamento crítico e dos porquês.

O grande Sócrates, filósofo grego, do século V a. C. lançou o pensamento crítico e os porquês em todos os momentos da vida ateniense. Incomodou, e muito, os que não sabiam explicar as próprias concepções, definições e atitudes relacionadas à política, economia e sociedade da época.

Para compreendermos melhor a nossa realidade é imprescindível colocarmos os porquês sobre nós mesmos e o nosso cotidiano.   

Faça da participação na sua comunidade, momentos ativos com debates, questionamentos e levantamento dos porquês.

A formação de cidadãos plenos e conscientes é o resultado da educação que, além do estudo crítico do mundo natural, social e cultural, forma também, entre alunas e alunos, o hábito da colocação dos porquês, a prática do autoconhecimento no dia a dia da sala de aula.

Prof. Dagoberto  Diniz

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais