Com muita satisfação e contentamento é assim que parabenizo todos os mestres do saber, os educadores, neste 15 de outubro, o Dia do Professor. Difundir o conhecimento, possibilitar a sua construção, formar a alma, a personalidade tudo isso somente o professor é capaz de propiciar ao ser humano, em suas lições, orientações, diálogos, conversas e debates. O Padre Vieira de Várzea Alegre definiu muito bem dizendo que “o professor, em certo sentido, é mais do que o pai. Este gera o indivíduo, o ser humano. Aquele gera a consciência, a personalidade, o caráter da pessoa”. Todos nós, adultos, fomos alunos, tivemos um professor, contribuindo para a formação da nossa consciência e construção da nossa visão de mundo.

Reconhecimento do trabalho do professor deve acontecer, não apenas nos discursos encomiásticos, mas sobretudo na valorização dos formadores da alma, através de garantias permanentes, proporcionando, além de um ambiente confortável para o exercício da profissão, condições financeiras para o aperfeiçoamento profissional e a melhoria das condições de vida. Valorizar o professor no sentido de tornar o magistério uma profissão atraente, prazerosa e respeitada, plenamente. E tudo isso proporcionando educação de qualidade para todos os brasileiros – sem distinção de qualquer natureza – teríamos a esperada revolução na educação brasileira.

A data suscita, além das homenagens e o júbilo das comemorações, momento de reflexão e contestação, visto que o magistério, ainda permanece distante, muito distante das preocupações do Estado brasileiro. Negligenciar o trabalho docente revela, além do desrespeito ao educador e à educação, indiferença ao desenvolvimento e progresso do país, posto ser o professor o formador do cientista, do médico, do advogado, do engenheiro, do economista, do próprio professor e de outros profissionais essenciais à nação. Chefes de Estado, seus ministros e parlamentares não o seriam sem a participação do professor. O deputado, o senador e o presidente da república quando praticam atos contrários e lesivos ao trabalho do professor, além de contraditórios, atuam contra a vida dos brasileiros, obstando a possibilidade de formação de cidadãos críticos e conscientes.

Bagagem intelectual, saúde do corpo, bem-estar físico e mental, condições saudáveis de moradia, segurança, tudo isso é essencial e vital ao professor.  Essas condições são indispensáveis aos educadores, na realização plena do labor pedagógico cotidiano, entretanto tornadas dispensáveis no âmbito das decisões palacianas e ministeriais. O Estado brasileiro não tem sido diligente e cuidadoso com seus professores.

No Brasil, segundo os dados do censo 2019, temos 2,6 milhões de professores:

– 2,2 milhões na educação básica (1,7 milhões atuando na rede pública de ensino);

– 397 mil atuando no ensino superior (com 214 mil ensinando em universidade privada);

Esse quadro representa 1,2% da população brasileira. São os brasileiros que educam, formam os outros brasileiros. Educadores e formadores, contudo desprestigiados e secundarizados. A negligência com a educação garante um amanhã sombrio, uma herança bárbara para o futuro das nossas crianças, adolescentes e jovens.

Já que o professor é consciente dessa situação, resta a voz, a organização inteligente, o conhecimento, a ciência em forma de reivindicação incessante. Urge mais união e insistência sapiente no enfrentamento do “status quo”. Calados, conformados e resignados apenas contribuímos para o agravamento da situação e o surgimento de outras reformas que apenas deformam a educação brasileira e contribuem para a desvalorização total dos seus professores.

Qualquer ato contrário ao professor é também uma agressão às crianças, adolescentes e jovens. Não investir em educação e não proporcionar o bem-estar docente é o mesmo que cultivar a ignorância e decretar atraso e sofrimento para a população.

Homenagens e celebrações, mas também reconhecimento, respeito e valorização… O professor merece!!!

Amigas e amigos do magistério, parabéns pelo Dia do Professor, muita energia e organização nas buscas!!

Prof. Dagoberto Diniz

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