“TRÊS TRÊS PASSARÁ, DERRADEIRO FICARÁ …”
Várzea Alegre emplaca três nomes em livro histórico

Com este verso, tirado do fundo da minha mente de criança nas cantigas de rodas de Várzea Alegre, eu saúdo os 53 coautores da Antologia do Centenário do Cedro CE, lançada, em alto estilo, no dia 04 de setembro de 2021. Um momento histórico e inesquecível. Um toque de classe na memória de um povo. O ar mais puro que já inalei, saído das entranhas do sentimento e dos corações humanos de um grupo de poetas que insistiam em gritar a palavra Cedrensidade.

O mergulho no tempo; o reencontro com antologistas, não só os acadêmicos, mas os escultores da alma, que lançaram o olhar poético através da prosa, do verso, da voz, da fotografia, das imagens, das lágrimas. Quem jamais entendeu o real significado do que seja Poesia, teve a rara oportunidade de vê-la em atividade. Um só coração bateu, em uníssono, naquela noite magistral! A escrita e as imagens foram tatuadas para o futuro. A história continuará preservada. A mais fiel das ciências terá assento. A Antologia do Centenário do Cedro CE a coloca em lugar de destaque no estado, no país, quiçá no mundo, devido a sua enorme força poética, literária e humana.

Maria Linda, de berço esplêndido na terrinha – pois Cedro é o Éden da família Lemos – participou ativamente da cantiga de roda, que tem nosso presidente João de Lemos, lugar de destaque na Arcádia. Eu, por ter morado, trabalhado e constituído família, com título de cidadania, também me mantive embalado na canção do “três três passará”, contudo quero me deter na terceira personalidade, que morou e estudou no Cedro, a Luzia. Maria Luzia Gregório de Oliveira, de prosa poética espetacular, está na Antologia resgatando o passado, brindando o presente e formatando o futuro. Mas essa oportunidade que a vida lhe deu tem um nome. A genética a fez grande por conta do grande aluno, professor e funcionário público exemplar, chamado Romildo. Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, seu pai, foi meu colega de turma, professor e, aos domingos – onde jovens iam brincar nos açudes, nas caçadas de passarinhos, em outros passeios – nós nos isolávamos em uma sala de aula do Colégio São Raimundo Nonato, a fim de aprimorarmos a oratória, a gramática e a redação. Fazia parte do seleto grupo, além de nós dois, Luís David de Lima e Jacinto, ambos tendo ingressado nas artes através da locução radiofônica e da música. Finalmente, Luzia mostra a garra do seu pai, que tinha como âncora a esposa Madalena, como um homem imortalizado, pois ele sempre esteve além do seu tempo. Foi o único cidadão de Várzea Alegre que morreu pela Pátria, pelo Povo, pois pôs a vida em holocausto, cobrando os impostos públicos, na esperança de manter creches, escolas e unidades de saúde funcionando plenamente.
“Três três passará, derradeiro, ficará…” Encerro o texto da “terça boa em prosa e versos” com um soneto.

Pátria Amada, boa terra idolatrada
não é só o fértil solo brasileiro,
pode ser o estado, o tempo inteiro,
a cidade ou sua casa sempre amada.

Os valores, os passos na estrada,
os costumes, as rezas, o cruzeiro,
o doutor, o amigo, o pioneiro,
as ideias e a ética aprimorada.

Hoje, o Cedro, nos dá uma Antologia
num cenário repleto de magia
esculpindo uma rota imaginária.

No futuro, teremos a História
embasada em pedaços de memória
de agradável Cidade Centenária.

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