Nacionalmente, a média é de 2,18 médicos para cada mil habitantes no interior do Ceará, o que cumpre a recomendação da Organização Mundial da Saúde (1 atendente para cada 1.000 habitantes). O atendimento médico no Brasil, vive atualmente uma infame contradição: embora se formem cada vez mais profissionais por ano, a saúde pública ainda carece de atendentes, principalmente em hospitais do interior. Embora iniciativas do programa uma vez tido, o Mais Médicos oferecia melhorias a falta de médicos em municípios menores, mas, mais da metade dos médicos estão concentrados nas capitais brasileiras.

Moradores da Cidade de Várzea Alegre, no interior do Ceará, reclamam da demora e ausência de médicos para atendimento no hospital São Raimundo. Além de alguns relatos de muitos que não conseguem consulta por não apresentarem quadro de urgência e emergência, outros esperam por horas e acabam buscando atendimento particular, eles alegam também falta de médicos.
O descaso e falta de verbas para melhor qualidade no atendimento à saúde da população varzeaalegrense por parte do Hospital São Raimundo, foi exposto lá em 2017, quando a diretoria do hospital pediu o auxilio a população através de doações de diversos produtos para continuar com um atendimento minimamente satisfatório aos pacientes. Na época, o médico e atual Diretor Técnico da unidade hospitalar Dr. Carlyle Aquino, contou em entrevista á Rádio Cultura de Várzea Alegre, que tomar a decisão de pedir a ajuda da população foi de necessidade urgente. Pelo visto, o Hospital São Raimundo não apresenta melhoras desde 2017, podendo estar sendo até encaminhado para “UTI”. Diante do agravamento da crise financeira que se apresenta, a direção do hospital achou por bem abrir o jogo e compartilhar com toda a população o quadro complicado em que se encontra, numa tentativa de conscientizar e mobilizar a comunidade, no sentido de encontrar soluções que possam amenizar os problemas.

Oberdan Maia esteve no hospital na última semana com seu filho, de 1 ano e 4 meses, vítima de um acidente doméstico que ocasionou em queimadura grave, com a ausência de médicos para fazer o atendimento, a criança que foi atendida pelos enfermeiros que prestam serviços ao hospital, sem preenchimento de ficha de triagem, e direcionada a uma farmácia, para que fosse adquirido medicamento adequado.

“Levei junto com minha esposa, levamos para o hospital e, minha esposa desceu do carro enquanto fui até a farmácia comprar uma máscara, quando comprei a máscara que ia chegando no hospital ela já vinha chegando dizendo que não tinha atendimento, que não tinha médico, ninguém fez nem a ficha nem nada.” Contou o pai da criança.

Oberdan Maia contou que apenas um enfermeiro se apresentou e após analisar os ferimentos aconselhou que levassem a criança até uma farmácia.

A situação do Hospital São Raimundo parece ser incurável, mas diante das dificuldades o hospital não pode barrar o paciente, negando-lhe atendimento. Sem verbas o médico não atende, o atendimento é tardio, a saúde não espera.

Diante de todo caos, surgem então as dúvidas;
se o paciente que vai a óbito por não ter sido socorrido pelo hospital São Raimundo de Várzea Alegre, por falta de médicos, morre de quê?

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