“A responsabilidade pelo outro precede a minha liberdade”.
                                                                                                                                                         Levinas

 

Ao lado do outro e sensível às suas dores, fragilidades e sofrimentos, eis como nos tornamos éticos e humanos.  Não há, pois, ética sem humanidade, sem identificação, sensibilização e responsabilidade com o outro. A nossa preocupação e dedicação às pesoas não deve exigir recompensa, ou seja, a minha humanidade está afastada de qualquer preocupação e exigência de que o outro retribua, na mesma medida. A ética tem que acontecer e existir de forma gratuita. Essas, são reflexões que caracterizam o pensamento do filósofo francês, Emmanuel Levinas (1905-1995) – a ética da alteridade.

Para sermos éticos e humanos é imprescindível e incondicional a nossa responsabilidade pelo outro. Responsabilidade e dedicação ao outro – vale destacar – e sempre livre de preconceitos e discriminações.

A atuação irresponsável das “lideranças” mundiais decidindo, em seus gabinetes, fazer as guerras; ministro da economia elaborando política econômica sem medir as suas consequências nefastas para a população e, ainda, defendendo utilizar sobras de restaurantes para alimentar pobres; ministro da educação falando que “universidade deveria, na verdade, ser para poucos” e, ainda, que crianças como deficiência atrapalham  o ensino dos demais estudantes; um ministro do meio ambiente falando em aproveitar o momento da covid-19, para mudar regras ligadas à proteção ambiental; ministro da saúde indiferente à dor e sofrimento dos brasileiros e recusa de compra de vacinas contra o coronavírus; presidente da república fazendo reformas que prejudicam os trabalhadores,  combatendo a utilização de máscara, defendendo tratamento precoce, e uma série de outras atitudes ominosas e desumanas. Esses, constituem exemplos, incontestes, de irresponsabilidade e desrespeito ao outro, aos brasileiros. Está mais do que demonstrada a falta de ética e humanidade em todos eles. 

Dizer-se cristão e indiferente ao outro é o que percebemos do Oiapoque ao Chuí.

No dia a dia estamos sempre encontrando pessoas muito devotas, sempre falando que “Cristo é vida”. Isso é lindo e emocionante.  Mas é preciso vivenciar essas palavras com obras, ajudando o outro, sendo sensível às dores e sofrimentos do outro. Ser cristão exige prática cristã, envolve o cuidado com o outro.  

Há pessoas que se habituaram em criticar o trabalho e ações do outro. Mas quando é para expor os porquês, manifesta-se o silêncio e, quando aparecem argumentos, são apenas palavras, expressões soltas, descontextualizadas e vazias. Percebemos assim que tais críticas são totalmente infundadas e movidas apenas por algum preconceito, pré-juízo, por crença religiosa, inveja ou em razão de opção política.

Convivendo com os “racionais”, percebemos cotidianamente, ações para afastar o outro – tirá-lo do caminho, “puxar o tapete”- quando ele representar um obstáculo/concorrente na busca da ascensão social e sucesso. Vejo uma infinidade de conclusões e juízos de valor, mas uma raridade de premissas e argumentos consistentes. Nessas situações há uma preocupação com o outro, contudo no sentido de afastá-lo, destruí-lo. Tais atitudes e procedimentos, apenas demonstram falta de ética e humanidade. 

Há pessoas que viveriam melhor se convivessem apenas com os que se curvam às suas idiossincrasias e desígnios mórbidos. Eis aí os tiranos procustos, de quando em quando, atuando, obrigando as pessoas a se adequarem às suas medidas. É imperativo conhecê-los e, sobretudo, evitá-los.

De tudo isso, percebe-se óbvio a carência de ética e humanidade entre os “humanos”, entre os “racionais”. Colocar-se no lugar do outro, de forma responsável, procurando sentir suas dores e carências, é lição que nem todos conseguiram ainda vivenciar. Somente quando nos tornamos responsáveis pelo outro e nos sensibilizamos diante da fragilidade e sofrimento dos nossos irmãos é que nos tornaremos éticos e humanos.

Essas questões devem estar presentes na educação, colocadas em discussão e debates com os alunos, com a comunidade. É uma temática que merece atenção, não apenas da área de humanas, mas de todas as outras. O ser humano não pode ser explicado através de uma ciência; todos os componentes curriculares são importantes para explicar a relação entre as pessoas e das pessoas com o mundo.

Indiferentes ao conhecimento, continuaremos vagando no infinito e carregados pelo tsunami do negacionismo, “fake news”, ilusões. Desprovidos de ética, irresponsáveis, insensíveis e distantes do outro, caminharemos para a barbárie.

Prof. Dagoberto Diniz

 

                                       

 

 

 

 

 

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