O taxista, que também é fã da Jovem Guarda, já participou de 30 shows do Rei
FOTO: HONÓRIO BARBOSA
Nicolau Sabino chama a atenção de todos na região pelo seu bom humor e pela paixão que tem por Roberto Carlos

Várzea Alegre O ritmo da Jovem Guarda, os embalos do iê-iê-iê que sacudiram a juventude brasileira na década de 1960 e início dos anos de 1970 ainda estão vivos na mente e no coração do taxista Nicolau Sabino da Silva, 63 anos. O motorista é uma personalidade típica nesta cidade, localizada na região Centro-Sul. Conserva o cabelo longo, usa calça apertada e sapato de salto. É reconhecido como admirador do Rei Roberto Carlos, de quem é fã incondicional.

Esta cidade é reconhecida por seus contrastes, cantados por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, em música de autoria do compositor varzealegrense Zé Clementino. É uma terra também marcada por figuras folclóricas e típicas, que povoam o imaginário popular e estão vivas na memória de seus moradores.

O taxista Nicolau Sabino é uma dessas personalidades locais. Reconhecido e admirado pelas crianças, que gritam o nome de Roberto Carlos quando ele passa em seu táxi pelas ruas da cidade, faz questão de frisar, logo no início da entrevista, realizada em um fim de tarde agradável na calçada da casa colonial pertencente à família Costa, no Baixio do Exu. “Nunca quis ser parecido com o Roberto Carlos. A fisionomia é muito diferente, mas sou um grande fã dele”, diz.

Nicolau Sabino nasceu no Sítio Inharé e teve uma infância simples. “Estudava pela manhã e, à tarde, ajudava o meu pai na roça e depois em uma bodega”, conta. A primeira professora foi uma irmã, Luíza Sabino, e depois continuou os estudos no Sítio Sanharol, mas parou na segunda série do ginasial.

Jovem Guarda

No período de 1966 a 1968, foi trabalhar numa mercearia. Na época, já admirava a turma da Jovem Guarda. Ainda em 1968, Nicolau Sabino decidiu ir embora, queria conhecer os cantores de perto e foi morar em São Bernardo do Campo. Na cidade do ABC Paulista, trabalhou como operário de uma fábrica de motores de máquina de lavar roupa.

O interesse do operário cearense, então, voltou-se para a música, e os shows da Jovem Guarda passaram a ser compromissos certos de fim de semana. No início dos anos de 1970, voltou ao Ceará e começou a trabalhar como motorista particular. Nicolau, emocionado, conta que assistiu a um show inesquecível do Rei Roberto Carlos, no dia 4 de setembro de 1974, em Iguatu. Ao todo, participou de 30 shows. De acordo com ele, possui um cartão de memória com mais de 600 músicas do ídolo em seu carro.

Em 1975, retornou a São Bernardo do Campo trabalhou como motorista até 1981. De volta ao Ceará, firmou sociedade com o irmão Herculano e instalou uma loja comercial. Comprou um carro Passat e começou uma carreira de taxista, por incentivo do médico, ex-prefeito e amigo inesquecível, Iran Costa. “Era um grande amigo”, destaca.

HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER

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